terça-feira, 3 de agosto de 2010
A Dança Cigana
A postura imponente dos ciganos ao dançar mostra como eles enfrentam a vida e orgulham-se do que são.
A cigana tem um lugar especial na dança, em muitas tribos ela garante o sustento dos seus com a sua arte, elas atraem a boa sorte para o grupo e a família...Com a cabeça levantada demonstra o poder de sua raça, o bater dos pés na terra clama a força desse elemento para bailar, as mãos para o alto pedem licença para exaltar a natureza, com a força feminina entrega-se ao ritual da dança e banha de beleza e mistério o espetáculo cigano. O barulho das moedas e pedras também tocam música no ritmo do rodopiar da cigana, as palmas e ralhos a envolvem e alimentam sua arte, que em forma de oração saúda os presentes na comunhão do sagrado e da alegria.
O cigano com seu ritmo forte e elegante atrai a atenção do grupo, é dele a responsabilidade da proteção, das aberturas dos caminhos de seu povo por estradas desconhecidas; no sapateado a busca da força e coragem; as mãos ao céu agradecem e recebem um sol de esperança; a força masculina se mostra e também reverencia a natureza.
Nos passos da vida, encontramos a Dança Cigana, envolvente e transformadora como o fogo; um coração pulsante no ritmo do vento; sábia e reveladora como o ar, de braços abertos buscando envolver um mundo inteiro; forte e poderosa como a terra; cristalina e mutável como a água, sem medo de demonstrar o amor à família, a eterna tristeza de tantas dores desnecessárias, o encantador sorriso da crença de um amanhã melhor, o brilho de lágrimas nos olhos profundos; um rito sagrado saudando a natureza que nos deu a vida.
Assim, nos contagiantes volteios dança-se aos pares, no ritmo do amor cigano troca-se forças, experiências, existências, finalmente completos na comunhão da vida. As crianças, continuação de nossos sonhos, e os velhos, detentores da sabedoria, tem lugar na roda e com o mesmo respeito são apreciados por tudo que são e serão.
Vamos palmear e nos entregar ao bailar gitano de nossos corações, no ritmo que a vida pedir vamos juntar as mãos e deixar que o som guie nosso corpo por novos caminhos; no ritmo sagrado da Dança Cigana fazer da liberdade de sonhar e realizar uma oração, uma dança única onde nos revitalizamos e descobrimos nossas forças e talentos para seguir sempre em frente, como fizeram e fazem os ciganos.
Escrito por Amarantha Thalvil
quinta-feira, 22 de julho de 2010
STREGHERIA
Stregheria é um termo moderno, um neologismo, utilizado por alguns autores neo-pagãos como um sinônimo para a palavra italiana Stregoneria, que significa Bruxaria.
Para algumas pessoas, a Bruxaria Italiana é tida como a "Velha Religião" (Vecchia Religione, em italiano), culto neopagão italiano com origens nos velhos mistérios Egeu-Mediterrâneos. A stregheria é uma religião iniciática imposta por diversos clãs, na maioria hereditários e extremamente herméticos.
Já para outras, a Stregoneria é simplesmente a prática de bruxaria de influências italianas, desvinculada de religião, já que para Bruxaria Tradicional a mesma não é considerada uma 'Religião' per se, mas sim um Ofício, uma prática de feitiçaria independente da religiosidade.
O Culto das Streghe Neo-Pagãs centra-se na figura da Deusa Diana e seu irmão e Consorte Dianus Lucifero. Mas este Culto, deve-se deixar claro, é aquele mantido por praticantes modernos, e não correspondem a Bruxaria Italiana como um todo. Deve-se dizer ainda, como demonstrativo da variedade de práticas e pensamentos ligados a 'Stregoneria' que há muitos Stregoni e Streghe que focalizam sua prática em Santos Católicos, enquanto há outros grupos e praticantes que se focam na figura do Diabo e demônios menores. Portanto, não é possível generalizar a 'Stregoneria' como uma prática única, ou como um único Culto.
Quando feito dentro de famílias ou em grupos de práticas, os rituais da Bruxaria Italiana também buscam a cura, a fertilidade e a prevenção ou quebra do mal olhado, também conhecido como malocchio ou jetattura, bem como o amaldiçoamento de seus inimigos e feitiçaria para diversos fins, sejam benéficos ou maléficos.
Dentro das tradições das streghe ocorrem também ritos solares, obedecendo tanto às estações do ano, quanto à ciclos de plantio e colheitas nas diferentes regiões da Itália.
Segredos e práticas
Os streghe ou bruxos se reunem às noites de lua, dependendo de seu crescente ou declínio, e nos dias de sol intenso. À lua cheia são revelados os mistérios da tradição, enquanto os rituais solares são voltados para a adoração e a iluminação, e ainda o contato com a natureza, tão importante pra nós. Os elementos têm muita importância para os streghe, e uma das práticas secretas é a Arte das Transmutações, em que se utiliza o magnetismo do olhar para impregnar pessoas e coisas, como os benzedeiros chamam de "Luz nos Olhos" ou "Olhar de Fogo", para os bruxos. O Brilho do olhar pode ser usado para o bem ou mal, mas a maioria dos streghe utilizam o fogo (para libertaçao) e a água (para purificação), visualizando o corpo em questão cheio destes elementos. A stregaria também mantém contato com espíritos familiares, elementais, anjos e devas, etc., mas tudo com objetivos definidos, sejam materiais ou de desenvolvimento espiritual. Muitas tradições que se voltaram para o cristianismo mantiveram o simbolismo strega pelas gerações, e hoje constituem alguns dos principais grupos mantenedores da stregaria no Brasil. Apesar de misturada e muitas vezes enraizada no Cristianismo esotérico e no hermetismo, a stregaria mantém suas antigas tradições e rituais mediterrâneos, que morrem com os membros, mas cedo ou tarde retornam na família, através de sonhos, inspirações e até mesmo uma curiosidade.
Stregheria revelada
A Stregheria passou a ser conhecida graças ao folclorista Charles G. Leland, que no final do século XIX escreveu obras sobre o tema, entre as quais se incluem Aradia, Il Vangelo delle Streghe Italiane e Etruscan and Roman Remains in Popular Tradition. Leland conseguiu este material na Florença, onde mantinha contato com mulheres que se intitulavam Streghe (Bruxas em Italiano).
A maioria dos Clãs de Stregoneria são Politeístas, tendo um Panteão cheio de Deuses, Semi-Deuses e Raças de Espíritos, todos eles criados das deidades supremas que são Diana e Dianus Lucifero. Alguns praticantes, no entanto, mantém seu culto firmado em algumas deidades, criando com elas uma espécie de aliança, não necessariamente sendo Diana e Dianus, embora, indubitavelmente eles sejam os mais cultuados.
As bases dos mistérios Stregonesci vieram principalmente de influências Etruscas. É importante lembrar, porém, que os romanos e assim, os ítalos tiveram muito contato com outros povos, dado à posição comercial e geográfica que os privilegiou em muitos momentos da história. Desta forma, desde os celtas que viveram no norte da Itália aos cultos e tradições trazidos pelos gregos que se instalaram na Magna Grécia, na Sicilia, influenciaram muito os modos, tradições e crenças das streghe, das fazedoras de magia, de curas.
Hoje, muitos praticantes de Bruxaria Italiana têm seus cultos e crenças enraizados também no Cristianismo e na cultura judaico-cristã, pois com a conversão dos romanos, muitos deuses e seus templos e cultos ganharam esse caráter, embora não tenham perdido sua essência e importância entre os praticantes recém-convertidos. Estes são atualmente aqueles que fazem suas curas em nome de Santa Luzia, São Miguel ou São Pedro, mas com magias e rezas, além do uso de ervas, plantas e especiarias.
Animulare, Tanarra, Janare, Strie, Strighe, Borde, Magare, Majare, Cogas, Masche, Basure são palavras sinônimas para "streghe" em diversos dialetos italianos. Foram erroneamentes tidas como 'Tradições de Bruxaria', mas na verdade são apenas palavras de diversos dialetos.
Clãs e tradições de Stregheria
A Stregheria contém em si várias ramificações que são chamadas de Clãs ou Tradições. Um Clã é formado por um conjunto de regras, liturgias, mitos e práticas em comum, onde os Stregoni e Streghe estão ligados entre si pela linhagem.
Outros grupos ainda, não tem um nome específico porque se desenvolvem em regiões, como resultado das vilas daqueles locais, ou em famílias. Nem sempre as famílias abrem ou mesmo assumem suas práticas mágicas, religiosas ou espirituais, por isso são muito pouco conhecidas.
Bibliografia
Leland, Charles G., Aradia o evangelho das Bruxas
Ginzburg, Carlo, Os Andarilhos do Bem
Para algumas pessoas, a Bruxaria Italiana é tida como a "Velha Religião" (Vecchia Religione, em italiano), culto neopagão italiano com origens nos velhos mistérios Egeu-Mediterrâneos. A stregheria é uma religião iniciática imposta por diversos clãs, na maioria hereditários e extremamente herméticos.
Já para outras, a Stregoneria é simplesmente a prática de bruxaria de influências italianas, desvinculada de religião, já que para Bruxaria Tradicional a mesma não é considerada uma 'Religião' per se, mas sim um Ofício, uma prática de feitiçaria independente da religiosidade.
Cultos
O Culto das Streghe Neo-Pagãs centra-se na figura da Deusa Diana e seu irmão e Consorte Dianus Lucifero. Mas este Culto, deve-se deixar claro, é aquele mantido por praticantes modernos, e não correspondem a Bruxaria Italiana como um todo. Deve-se dizer ainda, como demonstrativo da variedade de práticas e pensamentos ligados a 'Stregoneria' que há muitos Stregoni e Streghe que focalizam sua prática em Santos Católicos, enquanto há outros grupos e praticantes que se focam na figura do Diabo e demônios menores. Portanto, não é possível generalizar a 'Stregoneria' como uma prática única, ou como um único Culto.
Quando feito dentro de famílias ou em grupos de práticas, os rituais da Bruxaria Italiana também buscam a cura, a fertilidade e a prevenção ou quebra do mal olhado, também conhecido como malocchio ou jetattura, bem como o amaldiçoamento de seus inimigos e feitiçaria para diversos fins, sejam benéficos ou maléficos.
Dentro das tradições das streghe ocorrem também ritos solares, obedecendo tanto às estações do ano, quanto à ciclos de plantio e colheitas nas diferentes regiões da Itália.
Segredos e práticas
Os streghe ou bruxos se reunem às noites de lua, dependendo de seu crescente ou declínio, e nos dias de sol intenso. À lua cheia são revelados os mistérios da tradição, enquanto os rituais solares são voltados para a adoração e a iluminação, e ainda o contato com a natureza, tão importante pra nós. Os elementos têm muita importância para os streghe, e uma das práticas secretas é a Arte das Transmutações, em que se utiliza o magnetismo do olhar para impregnar pessoas e coisas, como os benzedeiros chamam de "Luz nos Olhos" ou "Olhar de Fogo", para os bruxos. O Brilho do olhar pode ser usado para o bem ou mal, mas a maioria dos streghe utilizam o fogo (para libertaçao) e a água (para purificação), visualizando o corpo em questão cheio destes elementos. A stregaria também mantém contato com espíritos familiares, elementais, anjos e devas, etc., mas tudo com objetivos definidos, sejam materiais ou de desenvolvimento espiritual. Muitas tradições que se voltaram para o cristianismo mantiveram o simbolismo strega pelas gerações, e hoje constituem alguns dos principais grupos mantenedores da stregaria no Brasil. Apesar de misturada e muitas vezes enraizada no Cristianismo esotérico e no hermetismo, a stregaria mantém suas antigas tradições e rituais mediterrâneos, que morrem com os membros, mas cedo ou tarde retornam na família, através de sonhos, inspirações e até mesmo uma curiosidade.
Stregheria revelada
A Stregheria passou a ser conhecida graças ao folclorista Charles G. Leland, que no final do século XIX escreveu obras sobre o tema, entre as quais se incluem Aradia, Il Vangelo delle Streghe Italiane e Etruscan and Roman Remains in Popular Tradition. Leland conseguiu este material na Florença, onde mantinha contato com mulheres que se intitulavam Streghe (Bruxas em Italiano).
A maioria dos Clãs de Stregoneria são Politeístas, tendo um Panteão cheio de Deuses, Semi-Deuses e Raças de Espíritos, todos eles criados das deidades supremas que são Diana e Dianus Lucifero. Alguns praticantes, no entanto, mantém seu culto firmado em algumas deidades, criando com elas uma espécie de aliança, não necessariamente sendo Diana e Dianus, embora, indubitavelmente eles sejam os mais cultuados.
As bases dos mistérios Stregonesci vieram principalmente de influências Etruscas. É importante lembrar, porém, que os romanos e assim, os ítalos tiveram muito contato com outros povos, dado à posição comercial e geográfica que os privilegiou em muitos momentos da história. Desta forma, desde os celtas que viveram no norte da Itália aos cultos e tradições trazidos pelos gregos que se instalaram na Magna Grécia, na Sicilia, influenciaram muito os modos, tradições e crenças das streghe, das fazedoras de magia, de curas.
Hoje, muitos praticantes de Bruxaria Italiana têm seus cultos e crenças enraizados também no Cristianismo e na cultura judaico-cristã, pois com a conversão dos romanos, muitos deuses e seus templos e cultos ganharam esse caráter, embora não tenham perdido sua essência e importância entre os praticantes recém-convertidos. Estes são atualmente aqueles que fazem suas curas em nome de Santa Luzia, São Miguel ou São Pedro, mas com magias e rezas, além do uso de ervas, plantas e especiarias.
Animulare, Tanarra, Janare, Strie, Strighe, Borde, Magare, Majare, Cogas, Masche, Basure são palavras sinônimas para "streghe" em diversos dialetos italianos. Foram erroneamentes tidas como 'Tradições de Bruxaria', mas na verdade são apenas palavras de diversos dialetos.
Clãs e tradições de Stregheria
A Stregheria contém em si várias ramificações que são chamadas de Clãs ou Tradições. Um Clã é formado por um conjunto de regras, liturgias, mitos e práticas em comum, onde os Stregoni e Streghe estão ligados entre si pela linhagem.
Outros grupos ainda, não tem um nome específico porque se desenvolvem em regiões, como resultado das vilas daqueles locais, ou em famílias. Nem sempre as famílias abrem ou mesmo assumem suas práticas mágicas, religiosas ou espirituais, por isso são muito pouco conhecidas.
Bibliografia
Leland, Charles G., Aradia o evangelho das Bruxas
Ginzburg, Carlo, Os Andarilhos do Bem
Grimassi, Raven, Italian WItchcraft
quarta-feira, 21 de julho de 2010
FILOSOFIA CIGANA
FELICIDADE
Um campo aberto, um luar, um violão, uma fogueira, o canto do sabiá, e a magia de uma cigana
ORGULHO
Saber que nunca participamos de guerras, que nunca armamos para matar nossos semelhant.es Somos os menestréis da paz!
AMOR
Amar é vivermos em comunidade é repartir nosso pão, nossas alegrias e até mesmo nossas aflições
LEALDADE
Não abandonar nossos irmãos quando mais precisam. é nunca negar o ombro amigo, a mão forte e o incentivo à vida
RIQUEZA
Termos o suficiente para seguirmos pele estrada da vida
NOBREZA
Fazermos de cada humilhação um incentivo ao perdão
HUMILDADE
Não importar-se em ser súdito ou nobre, importa-se apenas em saber viver
RAZÃO DE VIDA
Dançar, festejar, fazer a caridade
AMAR A TODOS, MESMO SENDO DISCRIMINADO, MOSTRAR QUE SOMOS UM POVO ESCOLHIDO POR DEUS, PARA LEVAR KAMBULIN AO RESTO DO MUNDO
Um campo aberto, um luar, um violão, uma fogueira, o canto do sabiá, e a magia de uma cigana
ORGULHO
Saber que nunca participamos de guerras, que nunca armamos para matar nossos semelhant.es Somos os menestréis da paz!
AMOR
Amar é vivermos em comunidade é repartir nosso pão, nossas alegrias e até mesmo nossas aflições
LEALDADE
Não abandonar nossos irmãos quando mais precisam. é nunca negar o ombro amigo, a mão forte e o incentivo à vida
RIQUEZA
Termos o suficiente para seguirmos pele estrada da vida
NOBREZA
Fazermos de cada humilhação um incentivo ao perdão
HUMILDADE
Não importar-se em ser súdito ou nobre, importa-se apenas em saber viver
RAZÃO DE VIDA
Dançar, festejar, fazer a caridade
AMAR A TODOS, MESMO SENDO DISCRIMINADO, MOSTRAR QUE SOMOS UM POVO ESCOLHIDO POR DEUS, PARA LEVAR KAMBULIN AO RESTO DO MUNDO
quinta-feira, 15 de julho de 2010
A arte de menstruar

O que define uma mulher? Muitas respostas poderiam ser dadas a esta pergunta, mas o que caracteristicamente a define é o fato de que mulher menstrua. E em sua condição plena, ela menstrua regularmente, expressão redundante, pois a palavra menstruação, que significa, literalmente, ‘mudança de lua’, tem como sílaba-raiz mens, mensis, a medida, origem da contagem do tempo, i.é., da regularidade.
A sílaba latina mens forma palavras como medida, dimensão metro, mente, para citar algumas. No sânscrito, a sílaba original era ma, de mãe, mana. Na Suméria, os princípios organizadores do mundo, atributos da deusa Inana, eram os me, sílaba contida no nome de muitas deusas, como Medéia, Medusa, Nêmesis e Deméter.
Para as mulheres da Idade da Pedra, o sangue menstrual era sagrado. É provável que a palavra sacramento se origine de sacer mens, literalmente, menstruação sagrada. Um ritual exclusivamente feminino, conhecido pelos gregos como Thesmophoria, mas cuja origem se perde no tempo, era realizado anualmente no período da semeadura. As mulheres que tinham atingido a idade do sangramento se reuniam num campo sagrado, e ao primeiro sinal do fluxo menstrual, elas desciam por uma fenda para levar sua oferenda às Cobras, as grandes divindades primárias do mundo profundo, que representam o poder regenerador na terra, no campo e no corpo das mulheres. Ofereciam o melhor leitão da ninhada, cuja carne apodrecida junto ao sangue menstrual era misturada às sementes, que então eram enterradas no campo sagrado, para promover e propiciar uma colheita abundante.
Os antigos ritos de menstruação hindus estão relacionados com Vajravarahi, literalmente ‘Porca de Diamante’, a deusa que rege as divindades femininas iradas, que dançam o campo energético do ciclo menstrual. Ela é a dançante Dakini vermelha, filha da Deusa Primal do Oceano de Sangue, mais tarde denominado de Soma.
Representando o fluido da vida, o sangue menstrual sempre foi considerado tabu, palavra polinésia que significa ‘sagrado’ e que foi interpretada pelos antropólogos como sendo ‘proibido’. De fato, o sangue menstrual, como o poder de criar vida que conecta as mulheres com o próprio universo, era tabu, isto é, sagrado e portanto proibido àqueles que não menstruassem, como era o caso dos primeiros antropólogos homens.
No mais esotérico dos rituais tântricos, o Yoni Puja, os sucos liberados pela cópula eram misturados com vinho e partilhados pela congregação. O mais poderoso de todos os sucos era aquele obtido quando a yogini estava menstruando.
Ao longo dos milênios, as mulheres têm desaprendido a arte de menstruar, de fluir com a vida. Nas sociedades tribais, a menarca, o início do fluir do sangue, era celebrada com um rito de passagem, auxiliando a menina a realizar sua entrada para o reino do mana: o poder sagrado transmitido pelo sangue e que tanto podia dar como tirar a vida. Além de apaziguar o poder destruidor, o rito tinha como função auxiliar a menina a entender sua condição física e sua relação com a função procriadora da natureza. Ainda uma criança em espírito e condição social, a partir de suas regras, a jovem deve assumir o comando de sua vida. Sem ritos de passagem, o que temos para oferecer às nossas meninas, que as ajude a transformar e assumir sua nova identidade?
Ao longo do processo civilizatório, a menstruação foi sendo depreciada, relegada, virando tabu. O que era sagrado tornou-se proibido, sujo, contaminado. A regra passou a ser esconder a regra. O resultado disto foi que o evento central na vida de toda mulher madura tornou-se invisível. Ironicamente, retorna à visibilidade para se tornar um negócio milionário, o dos absorventes ditos ‘higiênicos’, mas que continua a reforçar a idéia de que o sangue menstrual é ‘sujo’. O apelo maior da propaganda de absorventes é tornar a menstruação invisível. Promete que usar tal ou qual marca de absorvente possibilita à mulher levar a vida como se nada estivesse acontecendo em seu corpo. Descaracteriza-a como mulher, negando sua característica mais distintiva.
Devemos abolir os absorventes? É claro que não, pois não vivemos na Idade da Pedra. Mas talvez devêssemos nos espelhar no exemplo das índias andinas, que simplesmente se agacham e deixam seu sangue fluir para a terra. Impossibilitadas de agir assim numa terra coberta de asfalto, podemos, contudo, transformar esta prática num ritual. É importante para as mulheres recuperarem o sentido sagrado do fato biológico central em suas vidas. Pois, ainda hoje, a maioria das mulheres ‘liberadas’ acredita que suas regras (aquilo que as rege) é uma inconveniência que, se possível, deveria ser eliminada. Se formos capazes de romper com esta crença, talvez possamos desvincular o feminino da idéia de fragilidade e instabilidade. A decantada imprevisibilidade feminina é, em grande parte, decorrente das oscilações a que a mulher está submetida, ao longo de seu ciclo mensal. É a expressão da imprevisibilidade da própria vida.
O ciclo hormonal feminino apresenta dois pontos culminantes: a ovulação e a menstruação. O polo branco da ovulação, chamado muitas vezes de rio da vida, é o polo ovariano, procriativo, momento do ciclo em que, biologicamente, a mulher se coloca plenamente a serviço da espécie. O polo vermelho da menstruação, também chamado de rio da morte, é o polo uterino, quando a mulher se volta para si mesma. Ou pelo menos deveria, pois a arte de menstruar, a habilidade de fluir com a vida, é o momento em que somos chamadas para dentro, a fim de curarmos a nós mesmas.
Desprezada e negligenciada, não é de estranhar que a menstruação revide. A TPM (Tensão entre Patriarcado e Menstruação) é a expressão do conflito que nós mulheres vivemos, entre voltarmo-nos para o acontecimento sagrado dentro de nós ou atender à demanda do mundo externo. O período menstrual nos torna mais sensíveis, captando os acontecimentos em torno de nós através de uma lente de aumento e reagimos de acordo. Se aprendermos a respeitar o movimento energético que acontece em nosso interior, poderemos usar esta sensibilidade de um modo mais significativo e reverter a depreciação a que o sangramento foi submetido, recuperando sua sacralidade.
Como mulheres modernas, inseridas num mundo que funciona de acordo com os valores masculinos, nem sempre podemos nos recolher na cabana de menstruação, como faziam nossas antecessoras, onde descansavam e partilhavam suas experiências. Mas podemos reduzir nossas atividades ao mínimo, deixando para outro momento algumas delas. Também podemos nos recolher para dentro de nós, enquanto executamos as atividades diárias que nos competem. Depois de cumpridas as tarefas, podemos nos retirar para um lugar tranqüilo e prestar atenção ao que acontece no nosso útero, observar as sensações e os sentimentos, os sonhos que emergem. O período menstrual é o momento em que podemos aprender mais a nosso respeito e curar nossas feridas. Assim reverenciada, a arte de menstruar pode ser recuperada, possibilitando uma vida mais plena e feliz como mulher.
Fonte: Caldeirão
Monika vom Koss
segunda-feira, 12 de julho de 2010
ROM - SINTI E CALON - Os assim chamados "ciganos"
Por volta do ano 1000, por motivos ainda ignorados, iniciou uma
migração de indianos em direção ao Ocidente. Nada se sabe sobre
estes primeiros migrantes, mas depois de passarem pela Pérsia e
pela Turquia, no Século XIII, sua presença já é registrada na
Grécia e em outros paises balcânicos. A partir do início do
Século XV migram para a Europa Ocidental, onde geralmente dizem
ser originários do “Pequeno Egito”, então uma região da Grécia,
mas pelos europeus confundida com o Egito, na África. Por isso,
em vários países chamavam-os de “egípcios” ou “egitanos”,
de que derivam, os termos gypsy (inglês), gitan (francês),
gitano(espanhol).Mas sabemos que outros grupos se apresentaram
como gregos ou atsinganos, como então eram chamados na Grécia,
pelo que também ficaram conhecidos como ciganos ( português ),
tsiganes(francês),zigeuner(alemão/holandês),zingari (italiano).
Hoje os ciganos, no entanto, costumam usar autodenominações
completamente diferentes e distinguem pelo menos três grandes grupos:
- os Rom, ou Roma, que falam a língua romani; são divididos em
vários sub-grupos, com denominações próprias, como os Kalderash,
Matchuaia, Lovara, Curara, Ursari e.o.; são predominantes nos
países balcânicos, mas a partir do Século XIX migraram também
para outros países europeus e para as Américas, inclusive para o
Brasil;
- os Sinti, que falam a língua sintó e são mais encontrados na
Alemanha, Itália e França, onde também são chamados Manouch;
- os Calon, ou Kalé, que falam a língua caló, os “ciganos ibéricos”,
que vivem principalmente em Portugal e na Espanha, mas que no
decorrer dos tempos se espalharam também por outros países da
Europa e foram deportados ou migraram inclusive para a América do Sul.
Quase nada sabemos sobre os ciganos brasileiros na atualidade.
As pesquisas até agora realizadas no Brasil provam a existência de
ciganos de pelo menos dois grupos diferentes: os Calon que foram
degredados ou migraram voluntariamente para o país, já a partir do
Século XVI, e os Rom que vieram para o Brasil somente a partir de
meados do Século XIX.[1] Nenhuma publicação trata de ciganos Sinti,
mas que com certeza também devem ter migrado para o Brasil, junto
com os colonos alemães e italianos, a partir do final do Século XIX.
Nada, mas absolutamente nada, sabemos sobre o número de ciganos
nômades, semi-nômades e sedentários atualmente existentes no Brasil,
nem sobre sua distribuição geográfica. Há quem, sem apresentar
quaisquer provas, fala até na existência de 800 mil ou 1 milhão de
ciganos no Brasil. No entanto, quaisquer estimativas sobre a população
cigana brasileira não passam de meras fantasias. No Brasil, até hoje,
nem o IBGE ou outra instituição de pesquisa demográfica, nem
cientista algum tem feito um levantamento da população cigana.
Na Europa, onde vive a maioria dos ciganos, os dados demográficos são
igualmente duvidosos, mas de um modo geral estima-se que sua população
está em torno de 10 a 15 milhões de pessoas. Os países com maiores
populações ciganas são a Romênia (1.800 a 2.500.000),
Bulgária (700 a 800.000), Espanha (650 a 800.000) e Hungria (550 a 600.000).
Desde sua chegada na Europa Ocidental, os ciganos têm sido vítimas
de políticas anti-ciganas, em todos os países por onde passaram.
“Cigano” virou palavrão; ser “cigano” virou crime, o que em muitos países significava a condenação à morte. Ainda em pleno Século XX,
os nazistas exterminaram cerca de 500.000 ciganos, um holocausto que os historiadores preferem esquecer.
Somente a partir da década de 60, com a crescente unificação da Europa,
começam a surgir as primeiras políticas pró-ciganas, em documentos do
Conselho da Europa e da União Européia. E também os ciganos, pela
primeira vez na história, começam a reivindicar os seus direitos e a denunciar.
Ainda vai levar algum tempo para estas novas idéias e políticas ciganas
e pró-ciganas conseguirem atravessar o Atlântico e ficarem também
amplamente conhecidas e discutidas no Brasil, não apenas por políticos
e juristas, mas também por antropólogos e outros cientistas da área humanística.
Este ensaio tenta apenas contribuir para uma maior divulgação, no
Brasil, das políticas pró-ciganas e das reivindicações ciganas
européias, quase sempre divulgadas em publicações de difícil ou
impossível acesso para os juristas e cientistas sociais brasileiros,
porque inexistentes em qualquer biblioteca universitária ou biblioteca
pública. Por este motivo, vários documentos serão amplamente transcritos.
--------------------------------------------------------------------------------
[1]. Veja R. Corrêa Teixeira, História dos ciganos no Brasil, Recife, Núcleo de Estudos Ciganos, 1999, 140pp.; E. M. Lopes da Costa, “O Povo Cigano e o espaço da colonização portuguesa – que contributos?”, IN: A. Gómez Alfaro, E.M. Lopes da Costa e Sh. Sillers Floate, Ciganos e degredos, Lisboa, Centre de Recherches Tsiganes / Comissão Européia, 1999, pp. 49-92
migração de indianos em direção ao Ocidente. Nada se sabe sobre
estes primeiros migrantes, mas depois de passarem pela Pérsia e
pela Turquia, no Século XIII, sua presença já é registrada na
Grécia e em outros paises balcânicos. A partir do início do
Século XV migram para a Europa Ocidental, onde geralmente dizem
ser originários do “Pequeno Egito”, então uma região da Grécia,
mas pelos europeus confundida com o Egito, na África. Por isso,
em vários países chamavam-os de “egípcios” ou “egitanos”,
de que derivam, os termos gypsy (inglês), gitan (francês),
gitano(espanhol).Mas sabemos que outros grupos se apresentaram
como gregos ou atsinganos, como então eram chamados na Grécia,
pelo que também ficaram conhecidos como ciganos ( português ),
tsiganes(francês),zigeuner(alemão/holandês),zingari (italiano).
Hoje os ciganos, no entanto, costumam usar autodenominações
completamente diferentes e distinguem pelo menos três grandes grupos:
- os Rom, ou Roma, que falam a língua romani; são divididos em
vários sub-grupos, com denominações próprias, como os Kalderash,
Matchuaia, Lovara, Curara, Ursari e.o.; são predominantes nos
países balcânicos, mas a partir do Século XIX migraram também
para outros países europeus e para as Américas, inclusive para o
Brasil;
- os Sinti, que falam a língua sintó e são mais encontrados na
Alemanha, Itália e França, onde também são chamados Manouch;
- os Calon, ou Kalé, que falam a língua caló, os “ciganos ibéricos”,
que vivem principalmente em Portugal e na Espanha, mas que no
decorrer dos tempos se espalharam também por outros países da
Europa e foram deportados ou migraram inclusive para a América do Sul.
Quase nada sabemos sobre os ciganos brasileiros na atualidade.
As pesquisas até agora realizadas no Brasil provam a existência de
ciganos de pelo menos dois grupos diferentes: os Calon que foram
degredados ou migraram voluntariamente para o país, já a partir do
Século XVI, e os Rom que vieram para o Brasil somente a partir de
meados do Século XIX.[1] Nenhuma publicação trata de ciganos Sinti,
mas que com certeza também devem ter migrado para o Brasil, junto
com os colonos alemães e italianos, a partir do final do Século XIX.
Nada, mas absolutamente nada, sabemos sobre o número de ciganos
nômades, semi-nômades e sedentários atualmente existentes no Brasil,
nem sobre sua distribuição geográfica. Há quem, sem apresentar
quaisquer provas, fala até na existência de 800 mil ou 1 milhão de
ciganos no Brasil. No entanto, quaisquer estimativas sobre a população
cigana brasileira não passam de meras fantasias. No Brasil, até hoje,
nem o IBGE ou outra instituição de pesquisa demográfica, nem
cientista algum tem feito um levantamento da população cigana.
Na Europa, onde vive a maioria dos ciganos, os dados demográficos são
igualmente duvidosos, mas de um modo geral estima-se que sua população
está em torno de 10 a 15 milhões de pessoas. Os países com maiores
populações ciganas são a Romênia (1.800 a 2.500.000),
Bulgária (700 a 800.000), Espanha (650 a 800.000) e Hungria (550 a 600.000).
Desde sua chegada na Europa Ocidental, os ciganos têm sido vítimas
de políticas anti-ciganas, em todos os países por onde passaram.
“Cigano” virou palavrão; ser “cigano” virou crime, o que em muitos países significava a condenação à morte. Ainda em pleno Século XX,
os nazistas exterminaram cerca de 500.000 ciganos, um holocausto que os historiadores preferem esquecer.
Somente a partir da década de 60, com a crescente unificação da Europa,
começam a surgir as primeiras políticas pró-ciganas, em documentos do
Conselho da Europa e da União Européia. E também os ciganos, pela
primeira vez na história, começam a reivindicar os seus direitos e a denunciar.
Ainda vai levar algum tempo para estas novas idéias e políticas ciganas
e pró-ciganas conseguirem atravessar o Atlântico e ficarem também
amplamente conhecidas e discutidas no Brasil, não apenas por políticos
e juristas, mas também por antropólogos e outros cientistas da área humanística.
Este ensaio tenta apenas contribuir para uma maior divulgação, no
Brasil, das políticas pró-ciganas e das reivindicações ciganas
européias, quase sempre divulgadas em publicações de difícil ou
impossível acesso para os juristas e cientistas sociais brasileiros,
porque inexistentes em qualquer biblioteca universitária ou biblioteca
pública. Por este motivo, vários documentos serão amplamente transcritos.
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[1]. Veja R. Corrêa Teixeira, História dos ciganos no Brasil, Recife, Núcleo de Estudos Ciganos, 1999, 140pp.; E. M. Lopes da Costa, “O Povo Cigano e o espaço da colonização portuguesa – que contributos?”, IN: A. Gómez Alfaro, E.M. Lopes da Costa e Sh. Sillers Floate, Ciganos e degredos, Lisboa, Centre de Recherches Tsiganes / Comissão Européia, 1999, pp. 49-92
Silêncio
Observar é o primeiro passo, o primeiro ensinamento, a primeira prática.Observar.Isso é meditar. Observe os sons, o seu corpo, a respiração que entra e sai.Claro, os pensamentos não vão te largar...Observe.Observe os pensamentos. Não os analise, nem os julgue. não os incentive. Sente-se em silêncio, esteja presente e observe...Aos poucos os pensamentos começam a perceber que ali não tem campo fértil, que quem está ali não está incentivando, não está "dando corda" pra eles.Daí a alguns dias eles irão embora.Sente-se longos minutos todos os dias. De repente uma presença inusitada, surpreendente, começa a surgir. Uma presença que perpassa tudo, que está nas árvores, nos pássaros, em todos os objetos...A Presença... O Ser ... o seu Ser, o seu Núcleo Central (que também é o Núcleo Central de tudo o que existe)...No xamanismo Kahuna é conhecido como NALU. Nalu do Som = simplesmente mergulhe e ouça os sons à sua volta. Perceba que eles surgem de repente do silêncio e de repente voltam para o silêncio. Nalu da visão = deixe um cristal ou uma flor a 1 metro de seus olhos e olhe. Olhe e olhe. Agora feche os olhos e veja ele igualzinho dentro de seu cérebro. Vire-o se quiser, mas não o segure. Repita quantas vezes for necessário. Nalu do paladar = quando comer, viaje em cada sabor que entra na sua boca. Cada garfada é um sabor diferente, mesmo que parecido, cada um é único... Viaje! Nalu do Tato = sinta. Enquanto corre, sinta seus movimentos. Não pense nelse, sinta-os. Enquanto deita, sinta o peso de seu corpo sobre o colchão, o peso da roupa sobre o corpo, sensações de frio e calor. Sinta. Nalu Multisensorial = no seu dia a dia , a cada momento de seu dia, mergulhe nas suas sensações, nos sons do aqui-agora, nos movimentos, cheiros, gostos, sem pressa, deliciando-se com cada um desses momentos, dessas sensações. Assim você volta pro aqui-agora e sai das neuroses do passado, medos do futuro, saudades de quem não se encontra presente.... etc.... Assim, você retorna para a Verdade, para a casa: é um convite para voltar pra casa!
Nota: (Publicado na lista Terra Mística por Gisela Barbosa(Veetshish).
Nota: (Publicado na lista Terra Mística por Gisela Barbosa(Veetshish).
Recolhimento Sagrado Feminino

Recolhimento Sagrado Feminino
Tatiana Menkaiká -
Observando os ciclos de nosso corpo, entramos em sintonia com o corpo maior e organismo vivo e pulsante que é a Mãe Terra. Nós, mulheres, carregamos em nosso corpo todas as Luas, todos os ciclos, o poder do renascimento e da morte. Aprendemos com nossas ancestrais que temos nosso tempo de contemplação interior quando, como a Lua Nova, nos recolhemos em busca de nossos sonhos e sentimentos mais profundos. As emoções, o corpo, a natureza são alterados conforme a Lua.Nas tradições antigas, o Tempo da Lua era o momento em que a mulher não estava apta a conceber, era um período de descanço, onde se recolhiam de seus afazeres cotidianos para poderem se renovar. "É o tempo sagrado da mulher", o período menstrual, conforme nos conta Jamie Sams, "durante o qual ela é honrada como sendo a Mãe da Energia Criativa". O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo assim como a água está para a Terra. A mulher, através dos tempos, é o símbolo da abundância, fertilidade e nutrição. Ela é a tecelã, é a sonhadora.Nas tradições nativas norte-americanas há as "Tendas Negras", ou "Tendas da Lua", momento em que as mulheres da tribo recolhem-se em seu período menstrual. É o momento do recolhimento sagrado de comtemplação onde honram os dons recebidos, compartem visões, sonhos, sentimentos, conectam-se com suas ancestrais e sábias da tribo. São elas que sonham por toda a tribo, devido ao poder visionário despertado nesse período. O negro é a cor relacionada à mulher na Roda da Cura. Também são recebidas nas tendas as meninas em seu primeiro ciclo menstrual para que conheçam o significado de ser mulher. Esse recolhimento não é observado somente entre as nativas norte-americanas, mas também entre várias outras culturas.Diversos ritos de passagem marcam a vida de meninas nativas no seu primeiro ciclo menstrual. Entre os Juruna, quando a Lua Nova aponta no céu, é momento de as meninas se recolherem para suas casas. As meninas kanamari, do Amazonas, também ficam reclusas enquanto dura seu primeiro sangramento, sendo alimentadas somente pela mãe. Assim ocorrem com as meninas tukúna que nesse período de reclusão aprendem os afazeres e a essência do que é ser uma mulher adulta. Observa-se, em alguns casos, como parte do rito, cortar o cabelo e pintar o corpo de negro. São ritos de honra à mulher, e não o afastamento das mesmas pela impureza, como foi mal-interpretado por muitas outras culturas, principalmente a nossa ocidental extremamente influenciada pelos valores cristãos.Nossos corpos mudam nesse período, fluem nossas emoções e estamos mais abertas a compartilhar com outras mulheres, como uma conexão fraternal. Ao observarmos nossos ciclos em relação à Lua, veremos que a maioria das mulheres que não adotam métodos artificiais de contracepção e que fluem integradas ao ciclo lunar, têm seu Tempo de Lua durante a Lua Nova. É importante observarmos como fluímos com a energia da Lua e seus ciclos, e em que período do ciclo lunar menstruamos. A menstruação é um chamado do nosso corpo ao recolhimento, assim como a Lua Nova é um período de introspecção, propício ao retiro e à reflexão. A Lua Cheia proporciona expansão e, se nossos corpos estão em sintonia com as energias naturais, é o período em que estaremos férteis.Quantas mulheres atualmente deixaram de observar os ciclos do próprio corpo? Quantas deixaram de conectar-se com as forças da natureza, deixaram de lado a riqueza desse período de introspecção, recolhimento e contemplação de si mesmas? No nosso Tempo de Lua sonhamos mais, estamos mais abertas à sabedoria que carregamos de nossas ancestrais. Aproveite esse período para conhecer e explorar seu interior, agradecendo os dons e habilidades que possui. Compartilhe com outras mulheres esses momentos sagrados de respeito e fraternidade. Ouse sonhar e exercer seu lado visionária. Note que ao estar em conexão com todas as mulheres e com a própria Mãe Terra, muitos sintomas tidos como incômodos vão desaparecendo. Muitos destes sintomas são a rejeição desse período. Com a competição resultante dos valores da sociedade moderna, muitas de nós esqueceram de ouvir a si mesmas, de sentir a necessidade de seus próprios corpos e corações. Para finalizar, segue um trecho sobre a Tenda da Lua, de Jamie Sams, falando-nos sobre a importância desse ciclo de religação com a Terra e a Lua:"O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido em nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados aos órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua. As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos de suas tribos há séculos. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade".
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